Facebook quer levar internet ao mundo todo. Mas há uma intenção por trás disso??

Publicado em: 20 de julho de 2016

post adaptado do Tecnoblog com autoria de Emerson Alecrim

Navegar na internet é parte do nosso dia-a-dia, mas nem todo mundo está online. Em 2012 foi determinado pela ONU que o acesso à internet é um direito universal. De lá pra cá,  o número de pessoas que conseguem se conectar de alguma forma aumentou, mesmo assim, a quantidade de indivíduos totalmente offline continua gigantesca: mais da metade da população mundial. A última análise do State of Connectivity (relatório anual disponibilizado pelo Facebook) constata que 3,2 bilhões de pessoas estão conectadas. Esse número não é muito quando pensamos que a população mundial é estimada em aproximadamente 7,3 bilhões.

A falta de infraestrutura e a acessibilidade são fatores determinantes.  As vezes, em locais mais isolados ou carentes, há infraestrutura (precária), mas com custo elevado. Há também o fator educação: pouco ou nada adianta oferecer acesso à internet se o indivíduo não é alfabetizado ou tem formação cultural muito baixa. Para você ter ideia de como esse aspecto é marcante, estima-se que até dois terços das pessoas em países em desenvolvimento simplesmente não sabem o que é internet.

Seguindo os passos do Google, que já investiu em projetos do tipo do Loon, o Facebook já lançou o Internet.org com a missão (audaciosa) de levar internet ao alcance de 5 bilhões de pessoas. A partir de parcerias com operadoras, organizações sem fins lucrativos e governos, o Facebook tem conseguido implementar projetos de acesso à internet em regiões pobres ou isoladas da Ásia, África e América do Sul. Há projetos em andamento em países como África do Sul, Zâmbia, Tanzânia, Quênia, Filipinas, Indonésia, Colômbia e Bolívia.

Tudo muito nobre, porém, sinais de alerta não tardaram a aparecer: na Índia, a imprensa local começou a relatar denúncias de que os mecanismos oferecidos pela Internet.org estavam priorizando páginas e serviços de interesse do próprio Facebook.

A primeira coisa que muita gente pensou — incluindo você, talvez — quando Zuckerberg anunciou a Internet.org é que essa é uma iniciativa para aumentar o número de usuários do Facebook. Esse pensamento não é equivocado: claramente, esse é um dos objetivos da companhia.

O problema está na parcialidade dessa cobertura: apenas alguns poucos sites e serviços foram incluídos. Dessa forma, a companhia acabou fazendo pessoas que estavam tendo o primeiro contato com a tecnologia acreditarem que o Facebook era a própria internet.

Pegou mal, é lógico, tanto que o Facebook se viu obrigado a mudar de estratégia — ou, ao menos, a “embalagem”. Em setembro de 2015, a Internet.org apresentou a plataforma Free Basic Services (Free Basics) para regiões da Ásia, África e América Latina, com alcance estimado em 1 bilhão de pessoas. A ideia é essa mesma que o nome sugere: oferecer acesso gratuito a serviços online básicos, a partir de um aplicativo ou de uma página web.

Só que é difícil pensar em soluções massivas no curto prazo, mesmo havendo interesse político: perto de outras graves deficiências sociais que temos, a desconexão é apenas um detalhe.