Whatsapp e Facebook: saiba mais sobre o compartilhamento de dados!

Publicado em: 26 de setembro de 2016

adaptado do texto do Olhar Digital.

No fim de agosto, o WhatsApp anunciou que passaria a compartilhar dados de seus usuários com o Facebook – que pagou US$ 16 bilhões pelo app em 2014. Obviamente, muitos usuários ficaram incomodados com a mudança e o WhatsApp disponibilizou um recurso que, supostamente, impediria que esse compartilhamento acontecesse. Vamos conhecer um pouco mais dos recursos dos aplicativos?

Criptografia

Desde abril desse ano, o WhatsApp passou a oferecer criptografia de ponta-a-ponta em todas as conversas. Isso significa que as mensagens só são visíveis para os usuários envolvidos na conversa. Nem mesmo o próprio WhatsApp consegue lê-las – tanto que o aplicativo já foi bloqueado por pedido de acesso às conversas pela justiça brasileira. Então se o WhatsApp não consegue acessar o conteúdo de suas mensagens, ele não tem como compartilhá-las com o Facebook.

Conhecendo Metadados

“Metadados” são informações sobre uma comunicação que não incluem o seu conteúdo. Por exemplo, o número de telefone do remetente e do destinatário, o horário de envio e de recebimento de cada mensagem da conversa, a localização de onde cada mensagem foi enviada (e a localização do destinatário), o tamanho (em kilobytes, por exemplo) de cada mensagem: tudo isso são metadados.

Mas qual a vantagem que o Facebook tira disso?

O WhatsApp alega que informações desse tipo podem ser usadas para combater spam. Se o WhatsApp detecta que um mesmo número enviou 1000 mensagens de tamanho idêntico para 1000 números diferentes em cinco minutos, ele pode concluir corretamente que aquele número é um bot que está distribuindo spam.

Portanto, se esse número tentar se cadastrar no Facebook, a rede saberá que ele na verdade deve ser um bot que distribui spam, e não um usuário real. Para saber isso, no entanto, ele precisa ter acesso à atividade daquele número no WhatsApp – o que passa a ser possível quando o aplicativo compartilha os dados com a rede.

Além disso, o WhatsApp afirmou que os dados do aplicativo podem gerar sugestões de amigos e propagandas mais precisas no Facebook. Faz sentido também, já que se a rede social identifica que você fala muito com uma pessoa pelo WhatsApp mas não tem ela no Facebook, ela pode sugerí-la como amigo para você.

Então nada de pessoal vai ser compartilhado?

Não exatamente. Metadados podem não incluir o conteúdo das comunicações, mas eles incluem tudo menos isso – o que pode incluir alguns detalhes muito íntimos. Por exemplo, se o Facebook sabe que você mandou 30 mensagens de WhatsApp para um psicólogo entre as 2 e 3 da manhã, ele sabe muito sobre você.

Especialistas dizem que os metadados funcionam como um detetive particular. Ele pode não saber o que você disse ou fez a cada momento, mas ele sabe onde você esteve, quanto tempo você ficou lá, com quem você encontrou, quanto tempo você conversou e daí por diante.

Em sua política de privacidade, o WhatsApp afirma que coleta o seu histórico de atividade (com quem você falou e quando) e, em alguns casos, os seus dados de localização. Esses metadados, quando organizados e acessados por outra pessoa, podem sim revelar detalhes pessoais.

Mas eu posso evitar que isso aconteça?

Resumidamente, não. O WhatsApp tem um recurso que permite que você “não utilize os dados de sua conta do WhatsApp para melhorar as suas experiências com anúncios e produtos no Facebook”. Leia atentamente a frase entre aspas: em nenhum momento ela afirma que o compartilhamento de informações não acontecerá.

Se você marcar essa opção, o que acontecerá é que os seus dados continuarão a ser compartilhados com o Facebook, mas você não ganhará absolutamente nada com isso. Isso porque a rede social não usará os seus dados para melhorar as sugestões de amizade e os anúncios que mostra a você. O compartilhamento de informações, no entanto, acontecerá do mesmo jeito.