CORREIOS: Reajuste no frete gera campanha #FreteAbusivoNão do Mercado Livre

Publicado em: 28 de fevereiro de 2018

Na última semana de fevereiro, os Correios anunciaram um reajuste médio de 8% no frete, o que tornaria o transporte das encomendas mais caro. Essa porcentagem se refere especificamente a objetos postados entre capitais brasileiras e nos âmbitos local e estadual.

O Mercado Livre não ficou nada satisfeito com a mudança. A empresa de comércio eletrônico que depende profundamente dos serviços dos Correios, afirmou que o 8% é apenas uma parte: o aumento de preço pode chegar a até 51% dependendo das localidades envolvidas na entrega. E com isso, lançaram a campanha com petição online coletando assinaturas #FreteAbusivoNão, veja: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR104832

“O aumento máximo do frete acontecerá justamente para vendedores que moram ou atendem clientes fora dos grandes centros, podendo chegar a 51%. Quer um exemplo? O valor de frete de um produto enviado de São Paulo para Joinville, que hoje custa cerca de R$ 40,00, passará a ser R$ 57,00”, diz o site da campanha #FreteAbusivoNão, que tem ganhado força nas redes sociais.

Em virtude dessa manifestação, o Correios esclareceu com um comunicado (abaixo, na íntegra):

“Ao contrário do que foi divulgado, o reajuste não será de “até 51% no frete dos produtos a todos que compram e vendem pela internet”. A média será de apenas 8% para os objetos postados entre capitais e nos âmbitos local e estadual, que representam a grande maioria das postagens realizadas nos Correios.

Cabe ressaltar que o reajuste não é para os preços de e-commerce, mas para os serviços de encomendas dos Correios, também utilizados pelo e-commerce. Trata-se de uma revisão anual, a exemplo do previsto em contrato. A definição dos preços é sempre baseada no aumento dos custos relacionados à prestação dos serviços, que considera gastos com transporte, pagamento de pessoal, aluguéis de imóveis, combustível, contratação de recursos para segurança, entre outros.

Comparar o preço de frete praticado no Brasil com os países vizinhos, como faz a nota, é tendencioso e pode levar o consumidor a acreditar em uma falsa premissa. O maior dos países citados – a Argentina – tem cerca de um terço da extensão territorial do Brasil e 40% de toda a sua população concentrada na região metropolitana de Buenos Aires. A maior cidade brasileira, por sua vez, tem 10% da população do país. Outro exemplo citado na nota, a Colômbia, é cerca de seis vezes menor que o Brasil. Os desafios de transporte em um país com dimensões continentais são muito maiores e os custos para manter a presença dos Correios em todo o território nacional são altíssimos.

Os contundentes problemas relacionados à segurança pública em diversas localidades do país também são pontos que merecem ser destacados. Conforme amplamente divulgado pelos veículos de comunicação, no Rio de Janeiro a situação de violência chegou a níveis extremos e o custo para entrega de mercadorias nessa localidade sofreu altíssimo impacto, dadas as medidas necessárias para manutenção da integridade dos empregados, das encomendas e até das unidades dos Correios. Por esse motivo, foi estabelecida uma cobrança emergencial de R$ 3,00 para os envios destinados à cidade do Rio de Janeiro, cobrança essa que poderá ser suspensa a qualquer momento, desde que a situação de violência seja controlada. Vale esclarecer que essa cobrança já é praticada por outras transportadoras brasileiras desde março de 2017.

Os Correios ressaltam que a parceria com o e-commerce brasileiro é de extrema importância para a empresa. Parceria que, inclusive, viabiliza a atividade de inúmeras micro, pequenas e médias empresas que vendem pela internet devido à oferta de pacotes de benefícios dos Correios exclusivos para os marketplaces brasileiros, incluindo reduções de preço que chegam a mais de 30% no SEDEX e 13% no PAC quando comparado aos preços à vista.

Também em função dessa parceria, a empresa mantém uma Política Comercial com uma estratégia de precificação que segue a lógica do mercado e, mesmo com os aumentos de custos, buscou o menor impacto possível nas praças mais relevantes para o e-commerce brasileiro.

Por fim, essa revisão mantém os Correios competitivos em seus preços praticados no Brasil inteiro, garantindo sua presença em todo o território nacional.”